O Aston Martin DBX, assim como já aconteceu com SUVs de outras marcas de prestígio - especialmente as mais esportivas -, tende a ser um tema delicado para os fãs mais puristas da fabricante britânica.
Ainda assim, dá para ignorar? Difícil. Nos números, o impacto é inegável: em um ano de retomada, foi justamente o DBX quem mais puxou a recuperação financeira e comercial da Aston Martin, depois de um 2020 particularmente complicado.
Só agora conseguimos testar o novo DBX, que além de ser o primeiro SUV da marca também é o primeiro Aston Martin com cinco lugares - e… a estreia não foi das melhores, como o Guilherme Costa relata e mostra no vídeo em destaque.
Superadas as contrariedades…
Depois dos imprevistos iniciais, enfim deu para explorar o Aston Martin DBX do jeito certo - e assunto é o que não falta.
Plataforma inédita e o V8 4.0 twin turbo (M 177)
O SUV inglês parte de uma base totalmente nova, com amplo uso de alumínio. E, graças ao acordo com a AMG, adota o envolvente (e viciante) 4.0 V8 twin turbo (M 177) que aparece em diversos modelos 63 da Mercedes-AMG.
Aqui, o M 177 rende 550 cv e 700 Nm, o suficiente para empurrar as 2,3 t do DBX até os 100 km/h em 4,5s e atingir 291 km/h de velocidade máxima - números impressionantes para um SUV grande e pesado, mais comuns em esportivos de alto nível.
Consumo e comportamento dinâmico: mais do que “vocal”
A personalidade do DBX não se resume ao som e ao apetite do seu coração: em condução mais contida, dá para ver médias entre 13-15 l/100 km, mas o Guilherme, em trechos de condução mais animada, chegou a registrar 24 l/100 km (!).
No acerto de chassi, o Aston Martin DBX convence plenamente. Na dianteira, usa suspensão por triângulos sobrepostos; atrás, um conjunto multibraço. Para completar, há suspensão pneumática (com ajuste em três níveis) cujo curso pode variar 95 mm. O resultado é um SUV que surpreende pela competência no asfalto - e também fora dele, embora para esse uso seja mais sensato escolher pneus diferentes dos Pirelli P Zero mostrados no vídeo.
Na prática, dinamicamente o DBX fica em um ponto intermediário entre a esportividade marcante de um Lamborghini Urus e o conforto aristocrático de um Bentley Bentayga. E não é por acaso: durante o desenvolvimento do Aston Martin DBX, o Porsche Cayenne - há muito referência dinâmica entre SUVs - foi tomado como… referência. A capacidade e o envolvimento ao volante deixam isso claro.
SUV esportivo, mas muito elegante
Mesmo com o DNA esportivo da Aston Martin evidente na maneira como ele dirige, o DBX combina essa pegada com doses generosas de requinte e elegância - por fora e, principalmente, por dentro.
O design externo, embora apresente proporções pouco usuais para um Aston Martin, incorpora bem os elementos que facilitam reconhecer a marca, como o conjunto grade/faróis. Na traseira, o desenho das lanternas remete ao Vantage e ajuda a compor um spoiler traseiro bem marcado.
Ainda assim, apesar do porte musculoso, o estilo consegue manter elegância justamente por abrir mão de vários recursos visuais agressivos que dominam outras propostas parecidas.
Interior, tecnologia e vida a bordo em família
Ao entrar, não resta dúvida: é um Aston Martin. A atenção aos detalhes e a escolha criteriosa de materiais pelo aspecto e pela qualidade criam um ambiente realmente especial - algo esperado em um carro que passa com folga dos 240 mil euros.
Mas nem tudo é perfeito. O ponto mais sensível talvez seja o sistema de infoentretenimento, claramente de uma “geração atrás” e pouco à altura de um modelo deste nível. E, de forma curiosa (já que a tendência atual é o oposto), o Aston Martin DBX traz botões em excesso - sobretudo no console central - “nem oito, nem oitenta…”
Por ser um SUV de cinco portas e cinco lugares, o DBX também mostra capacidades muito boas - e até inesperadas - como carro de família. O espaço no banco traseiro é amplo e o porta-malas, com mais de 600 l, dá conta de quase tudo.
Ele pode ser o lançamento mais controverso da centenária Aston Martin, mas o DBX se sustenta pelo conjunto de competências, sejam mecânicas e dinâmicas - como qualquer outro Aston Martin -, seja pela versatilidade no uso diário.
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