Sonic Superstars faz a franquia voltar ao período 2D, com uma jogabilidade mais direta, premissas de história mais simples e um elenco mais enxuto. Isso vale tanto para os personagens jogáveis - apenas Sonic, Tails, Knuckles e Amy - quanto para a lista de vilões. Aqui, Dr. Eggman está de volta, assim como Fang, o Caçador (antes conhecido como Nack the Weasel e Fang the Sniper), que apareceu em Sonic Triple Trouble e Sonic the Fighters. E eles não vêm sozinhos: a dupla se junta a Trip, uma personagem inédita apresentada ao universo de Sonic neste jogo.
Com Dr. Eggman e Fang já prontos para atormentar Sonic e companhia, daria para dizer que esses dois bastariam para manter os heróis ocupados. Ainda assim, a Sonic Team e a Arzest decidiram elevar a aposta para o grupo. “Quando pensamos nos três personagens inimigos do jogo, temos o Dr. Eggman, temos o Fang e temos a Trip”, diz o diretor criativo da Sonic Team, Takashi Iizuka. “O Eggman meio que está sempre presente nos jogos do Sonic como vilão, sempre lá causando problemas. Mas a gente queria muito trazer de volta um personagem mais antigo e menor da série Clássica. Foi daí que surgiu a ideia de colocar o Fang de novo na história. Então temos o Eggman, que é constante, temos o Fang, que volta depois de muito tempo sumido, e também queríamos introduzir um personagem novo para combinar com essa ideia do antigo e do novo, além do Eggman que está sempre ali.”
A criação de Trip
Trip entra para o grupo de inimigos como uma criação conjunta entre Iizuka e o presidente da Arzest - e co-criador de Sonic - Naoto Ohshima, que supervisionou boa parte do desenvolvimento de Sonic Superstars. “Quando conversávamos com o Ohshima-san sobre fazer um jogo novo juntos, queríamos ter uma história nova”, conta Iizuka. “A gente pensou: que história dá para contar? Que personagens vão estar ali? E como isso vai se desenrolar? Conforme falávamos, sentimos de verdade que precisávamos de uma personagem nova para a trama - queríamos apresentar alguém novo. E não queríamos colocar um personagem sem passado, sem nada acontecendo, que simplesmente vai ‘plim’ aparecer no mundo. A gente queria mostrar alguém com características únicas, algum tipo de histórico, elementos de narrativa que a tornem diferente, que a façam se destacar e que seja uma personagem com quem as pessoas consigam se identificar, ter empatia e curtir dentro daquele mundo - não só porque ela existe, mas porque ela significa alguma coisa para esse mundo.”
Esse último ponto, para Iizuka e a equipe, tem peso especial, já que ele reconhece um padrão antigo de introduzir ameaças “apocalípticas” do nada e esperar que o público se importe. “No passado, quando surgiam novos inimigos, eles sempre eram muito fortes e poderosos”, afirma Iizuka. “Temos o Infinite [de Sonic Forces]. Vários são desse tipo: pá, aparecem na sua frente como inimigo, e você percebe na hora que são muito fortes. São um adversário formidável e você pensa: ‘Ah não! Como eu vou lidar com esse inimigo?’ Esse foi o jeito como os inimigos foram apresentados antes, e a gente queria fazer diferente.”
O resultado é Trip - a primeira criação de Ohshima para a franquia Sonic em décadas. Ohshima é mais conhecido por ter criado os designs originais de Sonic the Hedgehog e do Dr. Eggman. Porém, ele deixou a Sega e a Sonic Team após seu trabalho em Sonic Adventure, em 1999. Ohshima colaborou de perto com Iizuka para chegar às ideias da nova personagem. “Trocamos visuais de um lado para o outro e mantivemos um diálogo contínuo sobre como a personalidade deveria ser”, diz Ohshima. “Surgiram ideias para ações e temas da personagem, como um lagarto blindado e o ouroboros. Eu trabalhei no design enquanto discutia essas ideias com o Iizuka-san.”
“Quando você olha para ela, obviamente ela está coberta por uma armadura, e o motivo de ela estar de armadura no jogo é que a base da personagem, em inglês, é um sungazer lizard”, explica Iizuka. “Em japonês, é mais direto - é literalmente ‘lagarto blindado’. Mas o sungazer é o animal que serviu de referência para o design da Trip.”
Mudando o roteiro
Meu único contato direto com Trip durante a sessão prática acontece no Ato da Amy, na Zona Cidade da Lagoa. Depois de encontrá-la, ela não parece aquela ameaça padrão de fim do mundo que já virou familiar na franquia Sonic. Até mesmo um personagem como Chaos em Sonic Adventure, que começou fraco, ainda assim era um oponente perigoso logo no início. Já no meu encontro com Trip, ela aparenta estar perdida, triste e até indefesa. Amy se oferece para ajudar Trip, e a segunda metade da fase vira uma espécie de missão de escolta, com Amy carregando Trip até o objetivo. Esses atos específicos de cada personagem servem para dar mais contexto à história de Sonic Superstars, mas minha impressão nesse primeiro momento não é a de que Trip seja uma vilã maligna determinada a destruir os heróis - e sim que existe uma complexidade por trás da eventual virada dela para um papel de antagonista intimidadora.
“A equipe quis mostrar que Trip não é aquela inimiga de sempre, e queríamos apresentá-la de um jeito que não fosse o óbvio ‘olha como eu sou super forte’”, diz Iizuka. “Quando apresentamos Trip bem no começo, acho que ela chega a cair com a cara no chão na primeira cena em que você a vê. A primeira coisa que eu acho que as pessoas vão pensar é: ‘Quem é ela, e por que ela é uma inimiga super forte? O que está acontecendo?’ A gente quis introduzir a personagem assim para que fosse diferente do jeito como os inimigos sempre foram mostrados nos jogos do Sonic.”
A Arzest e a Sonic Team também precisaram transmitir essas ideias pela narrativa sem ferir os pilares de apresentação da série Clássica. “A gente também está no formato Clássico de contar história, então não vamos usar dublagem, não vamos ter monólogos longos sobre isso e aquilo”, afirma Iizuka. “A gente quis muito apresentar tudo de um jeito que combinasse com essa narrativa Clássica, de simplesmente mostrar as ações da personagem, e ainda assim ser uma personagem legal, com várias características interessantes. Achamos que, conforme as pessoas curtirem ver a Trip e acompanharem ela passando pela história como inimiga, elas vão realmente apreciá-la como uma das adversárias.”
Por que Shadow não está em Sonic Superstars?
No passado, Iizuka já me disse que Shadow é seu personagem favorito fora o Sonic. E, como ele participou da criação de Shadow em Sonic Adventure 2, muita gente imaginou que Shadow poderia ter sido o terceiro adversário em Sonic Superstars. Mas não é o caso - e Iizuka reforça que Shadow não tem lugar na série Clássica.
“Shadow é da série Moderna de personagens e da jogabilidade que introduzimos”, diz Iizuka. “A série Clássica existe antes da série Moderna, então eles ainda não se encontraram naquele momento. Não há relação, então não vamos trazer Shadow para a série Clássica.”
“Infelizmente, o Shadow estava numa cápsula naquela época”, completa Iizuka, rindo.
Devemos descobrir bem mais sobre Trip até a chegada de Sonic Superstars. Sonic Superstars será lançado para PlayStation 5, Xbox Series X/S, PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC neste outono. Para ver mais sobre este aguardado jogo de plataforma 2D, acesse nosso hub de cobertura clicando no banner abaixo.
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