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BMW 330e: desempenho e economia, mas talvez não seja o Série 3 ideal

Carro BMW 330e azul em showroom moderno com carregador de carros elétricos ao fundo.

Entrega desempenho e eficiência como poucos, mas o BMW 330e talvez não seja o Série 3 mais óbvio para todo mundo


O BMW Série 3 não precisa de apresentação. Ele está entre nós desde 1975 e, agora na sétima geração, chega ao seu melhor momento.

Ainda assim, em um segmento tão disputado quanto o dos sedãs médios-grandes (segmento D), não basta ser bom: é preciso se manter no topo.

Por isso, quatro anos depois da estreia, a atual geração do Série 3 (G20) passou pelo tradicional facelift de meio ciclo, ganhando novos argumentos para a parte final da sua trajetória.

Do lado de fora, o visual recebeu retoques discretos; a lista de equipamentos de série ficou mais generosa; e a cabine evoluiu para se aproximar do que a BMW vem oferecendo nos lançamentos mais recentes.

De forma curiosa, não há nenhuma mudança mecânica relevante para destacar. Então fica a pergunta: essa nova “maquiagem” basta para deixar o BMW Série 3 - aqui, na versão híbrida plug-in 330e - ainda mais interessante?

De cara, um detalhe chama atenção: o BMW Série 3 segue nadando contra a maré da grade dianteira dupla em formato vertical (exceto nos M3 e M3 Touring, naturalmente), algo que vimos se tornar comum em quase todos os modelos novos da marca.

Na minha visão, isso joga a favor. Este Série 3 mantém uma elegância própria, bem diferente do que acontece, por exemplo, no Série 4, que adota uma postura bem mais agressiva.

Interior deu salto importante

Por dentro, as mudanças são mais amplas e, principalmente, mais relevantes. O Série 3 passa a usar o mesmo conjunto de painel curvo visto em modelos como BMW i4 e iX.

E, contrariando o que muita gente poderia imaginar, essa peça curvada, de visual moderno, “combinou” muito bem com o restante do painel que já conhecíamos no Série 3 - e que, fora isso, mudou pouco ou quase nada.

Botões físicos para a climatização desapareceram

Por outro lado, os comandos físicos dedicados ao ar-condicionado, que ficavam logo abaixo da tela, deixaram de existir. A BMW decidiu concentrar esses controles diretamente no display.

É uma alteração grande e uma escolha que eu já critiquei várias vezes em diferentes carros. No fim, é difícil dizer que o usuário sai ganhando. Aqui, minha opinião continuou a mesma.

Ainda assim, vale pontuar que os comandos do ar-condicionado ficam sempre à vista na tela, o que torna o uso mais simples e evita a necessidade de entrar em menus e submenus até encontrá-los. Pelo menos isso.

Mais abaixo, o console central foi redesenhado de leve, mas manteve o controlador giratório do iDrive - que, confesso, eu sigo gostando.

Mesmo assim, reconheço que a forma mais prática de usar o sistema OS 8 (o mais recente da BMW) acaba sendo pelos comandos táteis.

Outra novidade do Série 3 reestilizado é o aumento do pacote de itens de série, com destaque para o ar-condicionado automático de três zonas e para um conjunto mais amplo de assistências à condução.

Em espaço interno, nada mudou desde a última vez que testamos o BMW Série 3.

Se o assento central traseiro não é exatamente convidativo, quem vai nos dois bancos dianteiros e nos dois traseiros das laterais viaja com ótimo conforto. Os materiais escolhidos agradam e a qualidade de montagem não deixa margem para críticas.

Sistema PHEV devia ter sido atualizado?

Como já mencionei, a unidade avaliada do BMW Série 3 reestilizado foi a híbrida plug-in 330e. Ela combina um motor 2,0 l turbo a gasolina, de quatro cilindros, com um motor elétrico (80 kW ou 109 cv) - instalado na dianteira - e uma bateria de 12 kWh.

Com isso, a potência máxima combinada chega a 292 cv e o torque máximo é de 420 Nm. Essa força vai exclusivamente para as rodas traseiras por meio de um câmbio automático de oito marchas (que integra o motor elétrico no lugar do conversor de torque).

São números que permitem ao BMW 330e ir de 0 a 100 km/h em 5,8s e atingir 230 km/h de velocidade máxima.

Dinâmica continua em bom nível

Para uma proposta como esta, o desempenho é bastante respeitável - e o carro pode ser tão esportivo quanto o motorista quiser: a condução é envolvente, a direção comunica bem e o conjunto motriz está sempre pronto para responder.

A primeira coisa que se percebe é a exatidão dos comandos, especialmente no modo Sport. A direção é direta e precisa, como a BMW costuma entregar, mas sem ficar excessivamente arisca. Tudo acontece de modo progressivo.

Depois, a sensação de solidez é alta: a carroceria se mantém bem controlada, inclusive nas mudanças de direção mais rápidas.

Naturalmente, quando exageramos na dose - acelerando com mais agressividade ou desligando o ESC (controle de estabilidade) -, o 330e perde um pouco de precisão e evidencia que a suspensão também tem uma missão forte de conforto. E, claro, fica mais difícil disfarçar os 1845 kg.

Mesmo assim, este Série 3 honra o DNA do emblema que leva e segue entregando uma referência em comportamento dinâmico.

Isso é reforçado pelo funcionamento muito competente do câmbio Steptronic, que parece interpretar com precisão o que pedimos. E ele não “corta” quando decidimos interferir, trocando marchas pelas aletas no volante.

Além disso, impressiona como o sistema híbrido está sempre disponível, com muito vigor já em baixas rotações - e com o motor elétrico cumprindo um papel importante.

Ainda assim, milagre não existe. Em uma estrada secundária mais sinuosa, por exemplo, com acelerações contínuas e frenagens mais curtas, dá para começar a sentir falta de “elétrons”.

O modo Sport ajuda a reduzir isso, pois aumenta a regeneração e “obriga” o motor elétrico, sempre que possível, a atuar como gerador para recarregar a bateria (mantendo um nível utilizável).

E depois temos a outra faceta do BMW 330e…

Se, na dinâmica, o BMW 330e aparece em nível muito bom, ele também mostra competência quando a missão é “apenas” ser um híbrido plug-in.

No modo 100% elétrico, a resposta vem imediata e com muita suavidade, o que deixa a condução urbana bem agradável.

Aqui vale abrir um parêntese: mesmo com rodas de 19” e sem, por exemplo, suspensão com amortecimento ajustável, o BMW 330e me surpreendeu bastante no conforto.

A suspensão filtra muito bem as irregularidades do asfalto e só em pisos realmente deteriorados é que começa a demonstrar limitações.

E os consumos?

Voltando ao conjunto híbrido, a BMW declara 62 km em modo 100% elétrico, mas, nos dias em que fiquei com o 330e, ficou claro que é difícil passar da casa dos 50 km. E, nesse ponto, já há marcas entregando mais.

Com a bateria vazia e alternando entre os modos Hybrid e Hybrid Eco Pro, consegui médias por volta de 7 l/100 km.

Ao fim deste teste, depois de 720 km (cerca de 400 km em rodovia), registrei média de 6,7 l/100 km - um resultado interessante para um PHEV com estas características e este peso.

Quanto custa?

Com preço base de 56 705 euros, o BMW 330e aparece cerca de 9300 euros acima do 320i (somente a gasolina e com apenas 184 cv) e 1300 euros acima do 320d (Diesel e com 190 cv).

Em relação ao 320e (híbrido plug-in com 204 cv de potência máxima combinada), que testamos antes deste facelift, ele é aproximadamente 3000 euros mais caro.

Dá para entender que, neste modelo, a BMW oferece alternativas para quase todo tipo de comprador - dos híbridos plug-in aos apenas a gasolina, passando pelos Diesel. Por isso, não consigo afirmar sem hesitar que este 330e é o Série 3 que faz mais sentido comprar.

Para empresas, com os benefícios fiscais existentes (redução do IUC, redução no ISV e uma taxa de tributação autônoma reduzida), esta é uma opção a considerar, junto com o 320e.

BMW 330e faz sentido para particulares?

Para o consumidor pessoa física, porém, a escolha pode não ser tão direta, especialmente se a decisão estiver centrada no custo de uso.

Quando falamos de custos de utilização em um híbrido plug-in, eles só ficam tão baixos quanto prometem se houver a possibilidade de recarregar com frequência em casa ou no trabalho. E, claro, se os trajetos durante a semana forem urbanos ou mistos (as viagens de fim de semana não devem pesar tanto na decisão).

É assim que dá para aproveitar os cerca de 50 km em modo 100% elétrico que esta bateria tende a entregar. Se esse for o seu cenário, então sim: acredito mesmo que este BMW 330e é o Série 3 a comprar.

Veredito

Especificações técnicas


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