No século XXI, quem gosta de jogos oficiais de NFL teve pouquíssimas alternativas. Desde 2004, a série anual Madden NFL, da EA Sports, detém a exclusividade sobre a NFL, as equipas, os estádios e os atletas. Esse acordo acabou empurrando para fora do mercado outras franquias, como a competitiva NFL 2K, além da mais voltada ao fliperama NFL Blitz (que a EA acabaria adquirindo em 2011). Agora, o recém-anunciado Wild Card Football, da Saber Interactive e parte da franquia Playgrounds, quer furar essa barreira com uma proposta de futebol americano 7 contra 7, acelerada e com cara de arcade, estrelada por jogadores conhecidos do público.
Licenças: Wild Card Football não tem NFL, mas tem NFLPA
Embora Wild Card Football não carregue a licença da NFL, ele conta com a licença da NFLPA. Na prática, isso significa que não veremos equipas nem estádios oficiais da National Football League, mas vários dos principais nomes da liga estarão presentes. Dá para perceber isso de imediato ao navegar pelas opções de equipas disponíveis.
As equipas dentro do jogo giram em torno dos quarterbacks, com seleções como Team Mahomes e Team Burrow, além de um grupo montado em torno do atleta que estampa a capa do jogo: Team Kaepernick. Para quem prefere montar algo do zero, o modo Dream Squad permite criar a própria equipa, ajustar elenco, livro de jogadas e uniformes, e progredir em desafios para destravar recompensas.
Elenco e atualizações: centenas de atletas, incluindo novatos promissores
A versão que experimentei ainda era inicial, e os desenvolvedores explicaram que muitos atletas ainda precisam ser adicionados. Mesmo assim, a expectativa é de que, antes do lançamento, entrem mais superestrelas e vários dos novatos mais promissores - ao todo, centenas -, com reforços adicionais chegando depois por meio de atualizações pós-lançamento.
No lançamento, estarão disponíveis nomes como Jalen Hurts, Justin Jefferson, T.J. Watt, Joey Bosa, Ja'Marr Chase, Aaron Donald, entre outros. E, como torcedor do Ravens, eu precisava confirmar que Lamar Jackson estaria no jogo desde o primeiro dia (e os desenvolvedores disseram que ele estará).
Cartas Wild Card: modificadores, tornados, OVNIs e caos controlado
O grande diferencial de Wild Card Football, além da ação rápida típica de arcade, é a mecânica que dá nome ao jogo: Wild Card. Cada jogador mantém uma “mão” de cartas, compradas de um baralho com power-ups e modificadores de jogabilidade.
Há cartas simples - como as que aumentam a precisão do passe nesta descida ou reduzem a capacidade de receção do adversário durante uma jogada - e também cartas épicas. Entre elas, vi tornados que varrem o que aparecer pela frente, OVNIs que abduzem jogadores e os reposicionam no campo, e obstáculos no estilo pinball que repelem com força quem colidir.
Também é possível invocar três esferas giratórias de eletricidade, que remetem na hora às conchas vermelhas de Mario Kart. Já a carta mais forte que encontrei faz o portador da bola crescer e virar um gigante imparável por um curto período - perfeita para a situação clássica na linha do gol, quando você só quer atravessar a defesa e entrar na zona de anotação.
Se a preocupação for gente abusando dessas cartas, há um travão claro: o sistema funciona com uma economia de energia. Quanto mais poderosa a carta, maior o custo. Jogadas positivas da sua equipa rendem energia extra, mas, independentemente de como a última descida tenha terminado para o seu lado, você ainda recebe alguma energia.
Jogabilidade arcade: pancadas fortes, exageros e ritmo mais veloz
Se tornados e OVNIs já não deixavam isso evidente, Wild Card Football assume sem hesitar uma pegada arcade. Quem tem carinho por NFL Blitz provavelmente vai encontrar muito do que gosta aqui: impactos pesados, comemorações exageradas e proporções de atletas propositadamente caricatas, o que não deixa o jogador confundir o título com uma simulação.
Eu gostei do tempo que passei com Wild Card Football. Levei um pouco até me adaptar ao jogo aéreo - os recebedores parecem sair da rota e disparar para a frente no instante em que o QB solta a bola -, mas o jogo terrestre é muito gostoso. Os espaços aparecem de forma eficiente, e o juke talvez seja a arma mais forte à disposição, tirando as próprias Wild Cards.
No meu primeiro jogo, não fui particularmente bem, mas senti as minhas habilidades - já tão condicionadas a Madden a esta altura - a ajustar-se ao ritmo mais rápido que Wild Card Football impõe. Além disso, gostei de como os power-ups colocam uma nova camada no desporto; jogos de desporto costumam ser criticados pela falta de inovação, e aqui há um desvio divertido na fórmula do futebol americano.
Conteúdo pós-lançamento e plataformas de estreia
Com planos de conteúdo depois do lançamento e uma mecânica empolgante baseada em cartas, Wild Card Football parece ter bastante potencial para quem cresceu com títulos como NFL Blitz e NFL Street. Quero voltar a jogar para ver se o jogo consegue mesmo “avançar as jardas” quando estrear neste outono no PlayStation 5, Xbox Series X/S, PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC (tanto no Steam quanto na Epic Games Store).
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário