Embora Street Fighter 6 seja lembrado pelas lutas intensas de 1 contra 1, um dos maiores destaques do jogo é o modo Turnê Mundial. Trata-se de uma campanha solo em formato de mundo aberto que muda radicalmente o tipo de experiência que a série costuma entregar - e, recentemente, o público pôde experimentar apenas um pequeno pedaço disso numa demonstração. Durante uma visita à sede da Capcom nos EUA, em São Francisco, tive a oportunidade de ir além do que estava disponível na demo e ver com mais profundidade o que a Turnê Mundial reserva.
Na Turnê Mundial, o jogo entrega ferramentas bem completas para você criar um lutador personalizado e, em seguida, levá-lo pelas ruas de Metro City e por outros cenários, numa jornada para se tornar o guerreiro supremo do mundo. A demonstração encerrava no fim do Capítulo 1, mas, no meu teste, foi possível avançar até o começo do Capítulo 3.
Humor e combates improvisados na Turnê Mundial de Street Fighter 6
Logo no início, o que mais me divertiu foi o nível de absurdo, quase na vibe de Like a Dragon, que o modo abraça. Praticamente qualquer cidadão - seja um trabalhador de escritório, um estudante ou até um vendedor - pode ser desafiado para uma luta, e o jogo faz a transição para o combate de forma fluida, sem telas de carregamento, garantindo XP e outras recompensas.
Em outros momentos, fui abordado por delinquentes caricatos, como a gangue Mad Gear de Final Fight. Também acabei arrumando briga com robôs que lembram um aspirador tipo Roomba e com outros adversários nada humanos. A Turnê Mundial não tenta parecer séria em nenhum instante - e funciona melhor justamente por isso.
Metro City: tamanho, densidade e caminhos escondidos
Mesmo com algumas áreas bloqueadas nesta prévia, Metro City pareceu maior e mais recheada de detalhes do que eu esperava. Ainda assim, não é para imaginar um mapa gigantesco: o trecho que joguei se aproxima mais da sensação de explorar uma porção de tamanho médio de Kamurocho, em Like a Dragon. Há avenidas principais, becos escondidos e até telhados acessíveis por escadas.
Embora a maior parte dos NPCs não tenha nada especialmente marcante, o conjunto visual é bem caprichado - o que impressiona, considerando que esse modo, no fim das contas, é um acompanhamento ao pacote principal de Street Fighter 6.
Mestres, missões e golpes: treinar com Luke e Chun-Li
Para evoluir, a ideia é virar aluno dos personagens centrais. Quem jogou a demonstração começou sob a orientação de Luke, o que permite adotar o estilo dele, incluindo ataques especiais. Já no Capítulo 2, a minha missão passou a ser encontrar Chun-Li para estudar com ela.
Encontrei a lutadora lendária cercada por alunos, e ela só aceitou me treinar depois que eu derrotasse seus pupilos em combate. Passei por cima de todos - e, de quebra, eles foram simpáticos o suficiente para destravar tutoriais extras como “recompensa” por eu ter acertado socos na cara deles.
Também participei de um minijogo bem divertido: eu precisava quebrar tábuas de madeira que eram seguradas por quatro lutadores empilhados, em cima dos ombros uns dos outros. Minijogos assim parecem ser mais uma forma de conseguir Zenny.
Com a tarefa cumprida, Chun-Li me recebeu na escola dela e eu liberei, para usar no meu personagem, os golpes Kikoken e Spinning Bird Kick. Ao treinar com novos mestres, você ganha mais estilos e ataques especiais para combinar do seu jeito, e a proficiência cresce conforme você utiliza esses movimentos.
Concluir missões para o seu professor aumenta o vínculo com ele, e, com o tempo, você descobre histórias mais pessoais sobre cada mestre. Também dá para oferecer presentes comprados com vendedores, além de carregar consumíveis, como itens de cura e de aumento de atributos, para usar durante as lutas.
Exploração, segredos e personalização com bônus de atributos
Além disso, certos golpes característicos ajudam na exploração. Eu usei o Spinning Bird Kick para destruir obstáculos físicos - como barris, caixotes e placas - abrindo caminho e revelando áreas escondidas. O jogo incentiva vasculhar tudo, já que há muitas recompensas, segredos, participações especiais e esquisitices espalhadas pelas ruas.
Em um momento, subi até um telhado e dei de cara com um herói temático da Capcom, com visual propositalmente ridículo, chamado The Watcher. Ele me deu uma palestra sobre o verdadeiro significado de lutar por justiça e, por eu ter ouvido, me recompensou com uma bebida energética bem saborosa. Numa esquina, desafiei e derrotei uma cosplayer de Chun-Li chamada Chuli e ganhei tinta vermelha para personalizar minhas roupas.
Conseguir peças de roupa em baús, pegar itens de inimigos derrotados ou comprar em lojas aumenta os atributos do personagem no estilo RPG. É esquisito ter de pensar qual gorro usar para o meu avatar bater um pouco melhor num jogo de luta, mas eu topo tranquilamente essa brincadeira de “fantasia”.
Depois, Chun-Li pediu que eu conversasse com Li-Fen, uma aluna promissora e ligada em tecnologia, que talvez esteja tão obcecada por hackear no computador que não consegue focar totalmente na luta. Li-Fen me encarregou de derrubar membros da gangue Canary Crate - um bando local de brutamontes violentos que usa caixas de papelão na cabeça.
Eles estavam perto e eram fáceis de identificar, mas, quando me aproximei, tentaram me acertar golpes baratos, chutando e socando enquanto eu passava. Conectar um ataque preventivo nessas situações dá vantagem na luta que começa em seguida, e eu aproveitei isso ao cravar um Spinning Bird Kick em um dos sujeitos.
No geral, a Turnê Mundial parece uma distração excelente em relação ao conteúdo principal de Street Fighter 6, usando personagens e universo de um jeito bem legal. Fico curioso para ver como tudo cresce: será que cada mestre traz missões próprias para você conquistar um lugar na escola? Quantos rostos conhecidos e easter eggs ainda aparecem? E de que forma essa aventura se conecta às outras linhas de história do jogo? Ainda tenho dúvidas, mas, até aqui, a Turnê Mundial está preenchendo uma vontade que eu tinha de um modo história de luta em mundo aberto desde que terminei o modo Konquest de Mortal Kombat: Deception há quase 20 anos - e estou animado para levar meu lutador numa aventura que está se desenhando como um grande festival de bobagens.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário