Mesmo com um lançamento bastante conturbado, eu gostei muito de Cyberpunk 2077. Zerei o jogo perto da estreia, em 2020, e voltei algumas vezes só para ver como o trabalho pós-lançamento da CD Projekt Red vinha melhorando a experiência - mas essas visitas sempre foram rápidas, de poucas horas. Eu passeava de carro, trocava tiros com alguns inimigos e deixava Run The Jewels tocar na rádio do jogo. Como eu já estava satisfeito com o desfecho da minha V, não sentia grande necessidade de revisitar o corpo principal da campanha. Aí a CDPR anunciou a expansão Phantom Liberty, e ficou claro que era o empurrão que faltava para eu regressar de verdade.
Joguei cerca de uma hora da expansão - tudo indica que é a sua hora inicial - e dá para dizer sem esforço: é bom estar de volta a Night City.
De volta a Night City: Dogtown em Pacifica
Phantom Liberty apresenta uma nova área chamada Dogtown, dentro do distrito de Pacifica. A ideia original para Pacifica era virar uma espécie de zona turística, cheia de casinos e movimento, mas a Guerra de Unificação impediu que esse plano se concretizasse. Uma parte dessa promessa abandonada acabou se transformando em Dogtown, que funciona como ponto de partida da expansão.
O lugar é decadente, coberto por sinais do que poderia ter sido - incluindo um enorme prédio em formato de pirâmide que lembra o Luxor Hotel, de Las Vegas. Dogtown também aposta bastante na verticalidade, o que parece especialmente interessante para builds de V mais rápidas e ágeis. Mesmo com esse pequeno contacto, já fiquei com vontade de explorar mais quando estiver com o conteúdo completo. Ainda assim, segundo a CDPR, embora Phantom Liberty comece em Dogtown, a narrativa vai levar os jogadores por diferentes partes de Night City.
Phantom Liberty como thriller de espionagem
A CDPR descreve Phantom Liberty como um thriller de espionagem, adicionando intriga e operações secretas ao enredo que, no jogo base, tende a ser mais focado em ação. E essa proposta aparece logo de cara. A história acontece pouco depois de o jogador chegar a Pacifica na campanha de Cyberpunk 2077, quando a netrunner Songbird fala diretamente com V e diz que consegue curá-la da “bomba-relógio” que é o programa Relic instalado na sua cabeça - ou seja, o Johnny Silverhand de Keanu Reeves.
Só que antes disso, V precisa salvar ninguém menos do que a Presidente dos Novos Estados Unidos, Rosalind Myers. Ela está a bordo da Space Force One, que está prestes a fazer uma aterragem forçada em Dogtown. Enquanto Songbird e V observam a nave começar a descer na direção do bairro, mísseis atingem o alvo, garantindo que a Space Force One - e, idealmente, a Presidente Myers - caia de vez. É assim que Phantom Liberty arma o seu tabuleiro: V vai até aos destroços, resgata Myers (embora, sinceramente, pareça que ela não é exatamente do tipo que precisa ser salva) e as duas se abrigam num arranha-céu abandonado.
O objetivo final de V é tirar Myers de Dogtown, mas isso beira o impossível: há ameaças por todo lado e, muito provavelmente, uma recompensa enorme pela cabeça dela. Myers afirma que sair de Dogtown, depois de Night City e voltar para Washington só seria viável se… Solomon Reed pudesse ajudar. Esse é o personagem de Idris Elba - essencialmente um agente adormecido que já trabalhou com Myers - e ela está convencida de que ele é a sua rota de fuga. A missão de V, então, é localizar Reed para que uma espécie de “golpe ao contrário” seja colocado em prática, tirando Myers de Night City e levando-a de volta a Washington.
Elba encaixa bem no papel: ele transmite a imagem de um espião calejado e, ao que tudo indica, fala pouco - pelo menos quando comparado a Johnny Silverhand. Os dois são opostos completos, e é divertido ver V tentando lidar com essas duas presenças quando V, Johnny Silverhand e Reed dividem a cena.
Combate, novidades e como aceder à expansão
Cheguei a experimentar um pouco do combate de rua, e a sensação é bastante familiar. A CDPR diz que Phantom Liberty e uma atualização gratuita para o jogo base vão adicionar a possibilidade de atirar de dentro do carro, além de veículos capazes de disparar balas e rockets por armas montadas. Eu não testei essas novidades nessa prévia, mas fiquei curioso para ver se - e como - elas mudam o tiroteio em primeira pessoa que marca o restante de Cyberpunk 2077.
Saí de Phantom Liberty com vontade de continuar. A expansão passa a sensação de um regresso à Night City sombria e perigosa que eu curti em 2077, ao mesmo tempo em que promete trazer um tipo de história diferente para esse universo. Com apenas uma hora nas mãos, não dá para dizer que Phantom Liberty pareça ou pareça visualmente muito diferente - e talvez nem seja essa a intenção. Trata-se de uma história adicional encaixada numa campanha já existente, bem antes de ela se aproximar do fim. Ainda assim, a CDPR afirma que Phantom Liberty acrescenta tempero à narrativa de 2077, chegando ao ponto de incluir também um novo final.
Ao mesmo tempo, ela funciona como uma expansão independente. A CDPR explica que dá para seguir a campanha e, ao alcançar o ponto em que o conteúdo de Phantom Liberty fica disponível, receber uma mensagem de texto indicando que é possível iniciar a linha narrativa da expansão. Ou, se preferir, dá para começar um jogo novo e usar um “avanço rápido” direto para a expansão. Quem já terminou 2077 também pode voltar ao seu save e jogar essa nova história a partir dali.
No meu caso, vai ser essa última opção quando Phantom Liberty for lançada em 26 de setembro. Essa pequena amostra já foi suficiente para me lembrar o quanto eu gosto de me perder em Night City. Por enquanto, o sentimento é de mais 2077 - o que é ótimo -, mas é o rumo narrativo dessa expansão que eu espero que realmente a diferencie do jogo base. O trecho que joguei prepara bem esse caminho, embora eu honestamente não tenha ideia de para onde a história pode ir. Estou ansioso para descobrir.
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