Nickelodeon All-Star Brawl chegou em 2021 como uma alternativa competente - mas longe de empolgante - aos principais jogos de luta em plataforma, como Super Smash Bros. Ultimate. A ideia de pegar a base de jogabilidade que consagrou o gênero e trocar os ícones dos videogames por alguns dos personagens mais conhecidos da Nickelodeon, de diferentes gerações, é fácil de vender. Ainda assim, na estreia, o resultado não acompanhou o nível de expectativa criado pelo líder do segmento da Nintendo. Atualizações posteriores e conteúdos adicionais baixaram parte dessa distância, mas a diferença seguia evidente. Com Nickelodeon All-Star Brawl 2, a Ludosity e a Fair Play Labs tentam aplicar tudo o que aprenderam no primeiro jogo para entregar, enfim, o crossover de luta que os fãs queriam.
Elenco refeito em Nickelodeon All-Star Brawl 2
A reconstrução começa pelo elenco. Em Nickelodeon All-Star Brawl 2, todos os personagens foram retrabalhados - com ajustes, novos modelos ou uma reconstrução completa em relação ao título anterior. Além de 14 lutadores que retornam, a sequência inclui mais 11 estreantes, como The Angry Beavers, Donatello, Raphael, Plankton, Squidward e Jimmy Neutron. No conjunto, o plantel apresenta muito mais variedade do que antes, o que ajuda All-Star Brawl 2 a se aproximar do jogo que claramente serviu de inspiração.
Essa diferença aparece tanto na quantidade de golpes especiais quanto nas particularidades de cada lutador. Raphael, por exemplo, se destaca pela rapidez, enquanto Jimmy Neutron pode chamar seu cão-robô, Goddard, e alternar entre controlar um e outro. Ainda sobre personagens “convocados”, Zim consegue chamar Gir, que replica os ataques de Zim. A adição mais chamativa nessa linha, porém, vem com The Angry Beavers: eles contam como um único lutador, mas funcionam de um jeito bem mais elaborado. As mecânicas de troca remetem a jogos como Marvel vs. Capcom, em que você chama o parceiro para dar assistência. Só que não para por aí: também dá para alternar livremente qual dos Angry Beavers você está controlando e aproveitar conjuntos de movimentos próprios de cada um. Na minha sessão prática, já deu para enxergar estratégias possíveis, embora eu tenha sentido que só arranhei a superfície.
Mecânicas de luta: competitivo, mas acessível
Em termos de jogabilidade, Nickelodeon All-Star Brawl 2 tenta equilibrar competitividade e acessibilidade. Um “dash ondulado” simplificado, cancelamento automático de L, mudanças no movimento analógico e um modo de treino detalhado - com ferramentas de dados de caixas de acerto/impacto e de trajetória - têm apelo para o público mais dedicado, mas também há espaço para quem joga de forma mais descompromissada. A intenção da Ludosity e da Fair Play Labs, aqui, foi permitir que o jogador consiga expressar o que quer fazer sem exigir um nível exagerado de dificuldade ou tecnicidade.
Um dos pilares dessa acessibilidade é um novo sistema de medidor que puxa forte de Guilty Gear. Você enche o Medidor de Gosma em segmentos, até um total de três. Ao gastar uma barra, é possível reforçar um golpe especial com mais “pegada” ou usar o Cancelamento de Gosma para sair de qualquer ataque; as duas opções são simples de executar e devem ter bastante utilidade em partidas competitivas. Com duas barras, dá para ativar um Surto de Gosma, equivalente a uma quebra de combo. E, se a ideia for gastar o Medidor de Gosma completo, as três barras liberam um Super específico de cada personagem, com uma cinemática rápida. Mesmo sendo fortes, esses Supers foram pensados para o ambiente competitivo e não devem ser nocaute com um golpe só (embora eliminem o(s) alvo(s) se o dano já estiver alto o suficiente).
Multijogador e conteúdo solo ampliado
Tudo isso aparece no multijogador, que continua sendo a experiência principal e segue funcionando com até quatro pessoas, mas desta vez há também um reforço grande no conteúdo para um jogador. Na Campanha, você enfrenta desafios em um mapa por nós, com personagens de destaque e lacaios, sob condições variadas, dentro de um modo no estilo roguelike. Ao avançar, você desbloqueia melhorias e outros bônus - e parte dessas vantagens permanece para as próximas tentativas.
Eu gostei bastante da criatividade do modo, o que me deixa otimista de que Nickelodeon All-Star Brawl 2 será mais divertido já de saída. Fora da Campanha, é possível encarar um modo Fliperama tradicional, minijogos diversos ou avançar pela desafiadora Corrida de Chefes, em que você precisa derrotar todas as lutas exageradas contra chefes vistas no conteúdo solo.
Essas novidades se somam a outras melhorias que Nickelodeon All-Star Brawl recebeu após o lançamento, incluindo a atualização muito pedida de dublagem, que foi adicionada ao primeiro jogo; agora, em All-Star Brawl 2, todos os personagens estão totalmente dublados. Eu me diverti bastante com Nickelodeon All-Star Brawl 2. Os lutadores parecem bem mais distintos do que antes, e a Campanha traz ideias interessantes que eu me vejo revisitando várias vezes.
Ainda que seja improvável que algum jogo de luta em plataforma chegue perto de Super Smash Bros. num futuro próximo, Nickelodeon All-Star Brawl 2 parece muito mais bem posicionado do que o antecessor para conquistar seu próprio espaço no gênero. Nickelodeon All-Star Brawl tem lançamento marcado para 7 de novembro no PS5, Xbox Series X/S, PS4, Xbox One, Switch e PC.
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